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terça-feira, 5 de junho de 2012

5 - O Jantar

Parte I
Preciso de cortar o cabelo, pensou, enquanto o descapotável vermelho deslizava na A1, em direção ao Sul. Compridos e castanhos, com alguns reflexos acobreados - segundo descrição da tia, pessoa versada em variações cromáticas - os cabelos, teimosamente, apoderavam-se do seu rosto. Preciso mesmo de cortar o cabelo. Perdia-se nestas considerações para evitar lembrar-se do que a esperaria no destino desta viagem.
Matilde Santiago tinha 45 anos, era de compleição alta e esbelta, olhos verdes, “de leoa” – mais uma terminologia da titi – e cabelos compridos. Demasiado compridos para a sua própria vontade.
Desculpava-se com o excesso de trabalho para evitar as idas ao salão de cabeleireiro. Odiava que lhe mexessem no cabelo. Odiava mais ainda que o fizessem enquanto discutiam se Lucineide, prima da Constança e ex-mulher de Alfredo, deveria, ou não, contar ao Luizinho que é sua mãe, ou qualquer outro enredo semelhante, passado no episódio anterior da novela da noite.
Terminara o curso de Biologia no MIT antes de completar os 23 anos, ficara na instituição a trabalhar e encontrava-se a fazer um pós-Doc. A sua vida era de sonho para muitos dos que a observavam, quer diariamente, quer à distância, na terra de onde saíra ainda adolescente.
Mas então porque sentia aquele friozinho desconfortável no estômago sempre que voltava? Porque se dirigia para o último lugar na Terra onde queria estar? E ainda assim, era exatamente isso que fazia.
Conduzia o seu descapotável vermelho pela A1, em direção ao Hotel Sheraton em Lisboa, local escolhido para a realização do primeiro jantar de convívio da Turma de 1984 do Colégio Britânico.

Em 1984, ano da sua formatura de liceu, Matilde Santiago era diametralmente o oposto do que é hoje. Algo rechonchuda, envergando roupas ainda assim demasiado largas para a sua compleição, de óculos e aparelho nos dentes, passava facilmente despercebida. E nos raros momentos em que era notada, geralmente ao receber novamente a nota mais alta da turma, não parecia livrar-se de ser alvo de chacota. Era, sem dúvida, o que os miúdos de hoje designam por geek ou nerd.
Agora, vinte e oito anos e uma vida de sucessos depois, o incómodo que sentia ao pensar nos ex-colegas era o mesmo. Não pensava sequer o que teriam feito da vida a filha do ministro da Economia ou o filho do Embaixador. Olhava-se pelo retrovisor do descapotável vermelho e a imagem devolvida era a da mesma garota sem graça, com dezassete anos, roupas largas e aparelho nos dentes. 
Parte II
Matilde estacionou o descapotável no parque do hotel Sheraton. Um empregado veio abrir-lhe a porta e ela entregou-lhe uma mala de viagem. Um outro empregado levou-lhe o automóvel para o parque. Entrou no átrio do hotel, fez o check-in e dirigiu-se ao quarto. Só regressaria no dia seguinte a Cascais, onde temporariamente estava a viver com os pais, antes de regressar a Boston. Ainda não tinha chegado à conclusão porque tinha decidido vir a este jantar. Francamente não havia nenhuma razão plausível para estar presente, talvez só a curiosidade de saber o que acontecera àquela “malta”. A maioria detestava pelo seu egocentrismo, outros pela sua arrogância de meninos ricos, mas havia alguns que lhe traziam boas recordações.
Já estava na hora marcada para o jantar. Matilde queria chegar atrasada propositadamente, por isso ligou o televisor e sentou-se a ver o telejornal.
Os colegas já estavam na sala de jantar, no último andar do hotel com vista panorâmica sobre Lisboa. Tirou o casaco que entregou a uma empregada. Os colegas já estariam todos? Passados tantos anos iria ser difícil a identificação, ou talvez não, há características pessoais que perduram ao longo da vida.
Numa mesa na entrada da sala encontrava-se uma listagem de todos os colegas do Colégio Britânico do ano de 1984. Percorreu com o dedo a lista, e os nomes saltaram com as recordações. Rui Mascarenhas, Telles de Sousa, Ricardo Mourato, Ângelo Vianna, Teresa Sá Melo, Francisca Menezes, a Kika, o Ventura Ferro, mais conhecido pelo Ferrugem...etc. etc.
- Bons olhos te vejam! - disse um dos colegas.
Matilde estremeceu. Se havia colega que não gostaria de encontrar era mesmo aquele que estava naquele momento à sua frente. Estava em falta para com ele, não se esquecera o que lhe fizera há vinte e cinco anos atrás. Nem um olá disse, estava petrificada. Os olhos do colega, negros brilhantes, que faziam lembrar algo de árabe, não despegavam dos seus.
- Não te recordas de mim? – disse numa voz suave.
Recordava-se muito bem, só que o passado estava a retirar-lhe as palavras da boca.
- Claro que me recordo de ti, Carlos - disse Matilde.
Carlos Braga Reis estava na mesma, claro, vinte e cinco anos mais velho, mas sempre elegante, magro, sempre bem trajado. Umas cãs já despontavam no cabelo que ia rareando. Na sua mente passaram imagens de há vinte e cinco anos atrás. O Carlos era o que se chamava uma lapa, não a largava, e Matilde não entendia. Era uma rapariga sem encantos, no meio de tantas raparigas lindas e simpáticas. O que é que via nela o Carlos? Convidava-a para sair, iam ao cinema, lanchavam muitas vezes juntos, levou-a a casa por diversas vezes o que o fazia perder tempo e dinheiro, pois morava com os pais em Cascais. Cada dia a aproximação entre os dois era maior, Matilde receava os avanços de Carlos. Até que um certo dia combinaram encontrarem-se em Belém. Matilde viria de Cascais e Carlos de Lisboa. Só que isso não aconteceu. Matilde já tinha a mala pronta para embarcar para Nova Iorque para a casa de uns tios e depois iria para Boston para ingressar no MIT para tirar o curso de Biologia.
Sentaram-se na mesma mesa de colegas dos quais se recordava da cara mas não do nome. Todos fizeram grandes elogios a Matilde e como estava diferente. Trocaram algumas amabilidades, recordaram algumas passagens pelo colégio Britânico e tiraram fotografias com os telemóveis. Todos quiseram saber o que ela fazia. Em breves palavras disse onde estava e o que fazia e a conversa com os restantes convivas ficou por ali. Carlos absorvia tudo o que ela dizia. Enquanto serviam algumas iguarias gourmet Carlos foi falando de si. Era engenheiro numa empresa, estava divorciado há dois anos e tinha dois filhos que viviam com a mãe. Ele vivia, simplesmente, sozinho.
Matilde falou sobre a sua vida americana. Pensava ficar por Nova Iorque porque tinha convites de trabalho e tinha os tios com quem pensava ir viver, nada a prendia a Portugal
Depois de Rui Mascarenhas discursar um improviso decorado, ele que estava talhado para deputado mais dia, menos dia, apesar das suas últimas derrotas, o jantar terminou com as promessas de novo encontro.
Carlos e Matilde vieram até ao átrio do hotel onde se sentaram nuns cadeirões a conversar. No meio da conversa perguntou a Matilde se na verdade não pensava regressar. Esta pergunta intrigou-a. Disse que não sabia pois, como na canção do Sinatra, a América estava under my skin, mas nunca se sabe o dia de amanhã. Aprendeu a dizer nunca digas nunca. Carlos aproveitou a deixa, abriu a carteira tirou um cartão de visitas e escreveu o número do telemóvel e entregou-lhe com um beijo na face:
-Gostava de estar contigo outra vez. Vê se arranjas um tempinho para mim.
Matilde acompanhou Carlos até à porta do hotel. A lua cheia estava mais cheia do que habitual, havia umas nuvens esparsas e de repente uma estrela cadente atravessou os céus de Lisboa. Coisa rara. Matilde formulou um desej
Parte III
Matilde Santiago recolheu-se no seu quarto. Sentia uma enorme responsabilidade pela apresentação que ia fazer no dia seguinte na Gulbenkian. Tinha altas expectativas para aquela conferência onde ia apresentar um dos seus recentes trabalhos. O descanso era muito importante para estar em forma e por isso declinou o convite da malta para ir beber uns copos num dos bares das docas.
Deitou-se a pensar que aquele jantar tinha sido uma grande seca. No dia seguinte, acordou cedo para poder dar um passeio nos jardins da Gulbenkian onde poderia relaxar um pouco antes da sua palestra.
A sua intervenção foi um sucesso e o seu ego ficou nos píncaros da lua com tantos aplausos dos seus colegas cientistas que tinham vindo de toda a parte do mundo. Divertiu-se imenso naquele cocktail após a conferência.
Aquele era o seu mundo, o seu ambiente, a sua gente. Ouviu as anedotas mais picantes e algumas histórias bem divertidas. O saldo era bem positivo e tinha feito novas amizades dentro da comunidade científica.
O próximo destino daquele fim de semana era a casa dos pais em Cascais. Matilde Santiago meteu-se no seu descapotável e entrou na Linha de Cascais a ouvir música clássica como nos velhos tempos. Aquela viagem era sempre muito agradável, mas, aquela em particular, tinha um não sei que de especial. Escolheu um CD de Gustav Mahler que combinava tão bem com aquele por de sol e o cheiro intenso do mar que lhe percorria as narinas e lhe inundava o cérebro. Já perto de casa dos pais sentiu um arrepio de frio e uma sensação muito estranha que não conseguiu entender.
Entrou na garagem do condomínio fechado e mal abriu a porta do carro para sair já estava a ser agarrada por um corpulento homem que lhe encostou um lenço ao nariz e a fez desmaiar.

Quando acordou, Matilde Santiago estava num enorme iate, no Mar da Palha, a caminho do alto mar. Ao seu lado estava um homem moreno que amavelmente lhe explicou em língua inglesa que nada de mal lhe ia acontecer. Disse-lhe ainda que no mar alto mudaria do iate para um barco com heliporto. Um helicóptero ia transportá-la até ao deserto de An Nafud na Arábia Saudita.
Matilde Santiago, num ataque de pânico, berrou com quantas forças tinha mas rapidamente percebeu que no alto mar não havia ninguém que a ouviss

Parte IV
Sentia-se enjoada, ainda que não conseguisse perceber se pelo estado de ansiedade por não perceber o que se passava, se pelo balançar da embarcação.
Olhava em volta à procura de alguma pista ou algum indício que a ajudasse a situar-se. Talvez encontrasse algo que lhe fosse familiar, mas cada vez se sentia mais confusa. Tinha a visão turva e a única coisa que conseguia distinguir era aquele homem moreno, de ar misterioso, que a olhava de forma penetrante e a inquietava. Parecia sentir um certo gozo ao vê-la tão perdida e ansiosa.
Apesar de tudo lhe parecer muito real, custava-lhe acreditar que se encontrava naquela situação. Ainda acreditava que pudesse tratar-se de alguma brincadeira de mau gosto e esperava que a qualquer momento aparecesse alguém e a libertasse daquele estado de desespero.
Tentou levantar-se mas foi aconselhada a deixar-se ficar. Pensou nas alternativas. Posso sempre tirar os saltos e atacar este cão de guarda, pensou. Não, não me sinto com forças. Que porcaria me terão enfiado pela goela? E saltar borda fora? Não Matilde! Esquece! Nem pensar. Pensa Matilde, pensa!
Detestava quando as coisas fugiam ao seu controlo e vasculhava as ideias à procura de uma saída. Não tinha outra solução que não fosse usar o velho truque de sempre:
-Preciso de usar a casa de banho! – disse no seu inglês perfeito. O homem olhou-a, primeiro com desdém, mas depois apreensivo, ao ver que Matilde o fitava com determinação. Anda lá, ó parvalhão! Mexe-te! Pensava Matilde, tentando parecer muito segura de forma a desconcertar o vigia. Vendo que não se decidia, tomou a iniciativa e levantou-se num ápice, sentindo-se confiante. Ainda antes que o vigilante tivesse tempo de reagir, desatou a correr pelo iate, quase de impulso, sem ter a ideia para onde ia ou o que procurava. Não tardou muito para que o ouvisse gritar-lhe que parasse e ouvia o som estrondoso dos seus passos atrás de si. O coração batia descontroladamente mas a adrenalina agilizava-lhe os movimentos. Desceu e subiu escadas na procura de qualquer recanto onde se pudesse esconder. Por todas as portas por onde passava repetia a tentativa de as abrir, nunca imaginando como aquele gesto lhe poderia ser fatal, mas revelou-se uma rotina inútil, pois todas estavam trancadas.
Não viu ninguém e o iate parecia-lhe abandonado, à exceção dela e do brutamontes que a perseguia, agora desajeitado por ver-se obrigado a movimentar-se rápido pelos corredores mais estreitos.
Matilde sentiu-se num beco sem saída e reconhecia a inutilidade de tentar fugir quando estava, obviamente, num beco sem saída. Mesmo assim não pretendia desistir de imediato, e por isso corria e corria, sem hesitar.
Quando parou para pensar, apercebeu-se que estava numa zona do iate mais escura, sombria e algo assustadora. Olhou à retaguarda e nem sinal do seu perseguidor. Susteve a respiração para se assegurar que não se iludia ao pensar que já não era seguida, e seguiu-se o silêncio. Estava protegida naquele recanto medonho, mas não seria por muito tempo. Parou quieta por algum tempo, para recuperar o fôlego e deixar que os seus olhos se habituassem aquele ambiente mais escuro. Olhou em volta e reparou numa pequena frincha, que indiciava uma passagem para outra sala. Sem dar tempo a si mesma para se arrepender, rodou a maçaneta daquela porta mais pequena, com a tinta já algo gasta e descascada, e encontrou o que lhe pareceu um quarto de dormir improvisado. Entrou em bicos de pés, com receio de ser descoberta e fechou a porta atrás de si.

À sua frente tinha uma cama estreita, com a largura suficiente para um corpo apenas e deitada nela estava Matilde. Com choque, Matilde constatou que deitada naquela cama se encontrava uma mulher exatamente igual a si.
Parte V
Matilde aproximou-se daquela mulher deitada, com as mãos atadas à cama. Olharam-se, surpreenderam-se. É como se se estivessem a ver a um espelho e os espelhos não enganam. Matilde Santiago tentou identificar a mulher. Falou em inglês e a mulher respondeu-lhe em francês, mas disse que falava também português. Matilde fechou a porta por dentro e desatou as mãos à sósia. Ela levantou-se e sentaram-se as duas na borda da cama.
- Chamo-me Matilde Santiago, sou portuguesa e estou a tirar um pós doutoramento em Biologia no MIT.
- Eu chamo-me Matilde Santiago, tenho nacionalidade francesa e trabalho num Instituto de Energia Atómica. É curioso termos o mesmo nome, mas talvez haja uma explicação. Eu sabia que existia uma irmã gémea, nunca me deixaram descobrir quem seria. Os nossos pais não são os biológicos, fomos separadas e adotadas, tu por uma família portuguesa e eu por uma família francesa. Eu soube disto recentemente por uma nossa empregada que jurou nunca contar a verdade, mas como os pais a despediram, como vingança ela contou-me.
- Mas o que esta gente pretende de nós?
- Querem-nos pelas  nossas qualificações.
- Como assim?
-Estamos nas mãos de uma rede terrorista que opera no Médio Oriente, em especial em Israel. Como tu tens conhecimento de biologia e eu de energia atómica, pretendem a nossa colaboração para desenvolver armas biológicas.
A porta foi arrombada e entraram no quarto dois árabes armados com armas automáticas. Afastaram-se e deixaram entrar uma personagem, vestida também de árabe. Trajava uma djellabia branca, por cima de umas cirwal e na cabeça um lenço keffiyeh. Os olhos estavam ocultos por uns óculos escuros. 
- Nunca pensei encontrar-mo-nos tão cedo!– disse numa voz baixa que Matilde, a portuguesa, reconheceu.
O árabe tirou os óculos e Matilde reconheceu o colega de curso Carlos Braga Reis.
- Nunca pensei que trabalhasses para terroristas! - disse Matilde
- Por vezes a vida prega-nos umas partidas!- Carlos piscou um olho a Matilde.
- Que pretendem de nós? -  perguntou Matilde.
- A seu tempo veremos!– disse Carlos com um ar que denotava um certo nervosismo. Vamos transportá-las para a  Arábia Saudita para o deserto An Nafud para uma tenda com todas as condições de alojamento. Depois o chefe decidirá.
Um helicóptero sobrevoava o iate, após uma manobra de grande perícia, o piloto aterrou no iate.
No heli vinha para além do piloto um outro árabe, de tez escura e muito mal encarado -  era um cão de fila, da confiança do chefe máximo.
Carlos obrigou as duas Matildes a entrarem no helicóptero. De seguida entrou o piloto, depois o Carlos e do lado de fora o cão de fila, que fechou a porta.
Carlos deu sinal para que o piloto levantasse voo. Deu-lhe as coordenadas. O piloto disse que as coordenadas estavam erradas,  An Nafud não era naquela direção.
- Eu sei... mas vamos para onde eu te disser.
O cão de fila olhou com suspeição para Carlos e depois olhou para fora do helicóptero, despreocupado, foi suficiente para que Carlos abrisse de rompante a porta e lançasse no espaço o cão de fila, que nem resistiu, perante o inesperado.
O piloto teve de efetuar uma manobra para equilibrar o heli. Ficou estupefacto com a atitude de Carlos. As duas Matides deram um grito de horror.
-  Juízinho senhor piloto, e vamos com calma para as coordenadas que te indiquei- disse Carlos apontando uma arma ao piloto

Parte  VI
As duas Matildes estavam agarradas uma à outra, pareciam siamesas em vez de gémeas.
- Não conheço a vossa história, a razão por que foram separadas, nem quem são os vossos pais naturais, somente fui encarregado de as raptar e transportá-las a An Nafud na Arábia Saudita, depois o resto era com a chefia superior do grupo. Eu sou um agente secreto infiltrado nesta rede árabe – enquanto falava Carlos despiu as vestes árabes que deitou pela janela fora e vestiu um fato de treino.
Para as Matides a conversa de Carlos não as acalmou. Não sabiam o destino e o que Carlos pretendia delas.
- Soube o que eles pretendiam de vocês, que queriam tirar partido dos vossos conhecimentos e da experiência adquirida. Se não soubesse que nunca mais sairiam de An Nafud, eu tê-las-ia entregue e continuaria infiltrado na organização. Mas o caso mudou de figura depois de raptar a Matilde Eve em Aix-en-Provence, e depois em Cascais a Matilde Sara. Fez-me confusão o facto de serem gémeas e pelo carinho que tenho pela Matilde Sara, decidi arriscar e não levei o projeto para a frente. Agora somos todos alvos de uma rede terrorista. Há que tomar providências – Carlos calou-se.
As Matildes agarradas uma à outra não percebiam o que Carlos pretendia. Não se atreveram a falar.
O helicóptero dirigia-se para as coordenadas dadas por Carlos. Um silêncio e tensão pairavam dentro do heli.
O piloto informou Carlos que se estavam a aproximar das coordenadas. Não se via nada a não ser mar. Carlos ligou o rádio do heli e entrou em contacto com uma pessoa, algures no oceano.
-  Aqui Carlos , chama Alonso. Escuto.
- Aqui Alonso, baja, el barco está en su dirección. Scuto.
- Vamos descer- disse Carlos
- Valle. Scuto.

No oceano um ponto minúsculo foi aumentado conforme heli descia, em voltas concêntricas.
O heli pairou sobre a lancha rápida levantando uma nuvem de água.
- Não há que pensar! – disse Carlos - É um pequeno salto para a água. Vamos Matildes, sem pensar, com os pés juntos, são só cinco metros. Abriu a porta e Matilde foi quase empurrada porta fora a seguir foi a vez da outra Matilde. Carlos deu ordem ao piloto para regressar ao ponto de partida e Carlos lançou-se para a água.

O heli levantou rapidamente e o mar tornou-se calmo. Os três nadaram um pouco para chegar à lancha.
Esta partiu com toda a velocidade em direção à costa portuguesa. Alonso era um perito e trabalhava no estreito de Gibraltar no tráfico de droga.
A velocidade era tal que em pouco tempo, e perseguidos por uma corveta portuguesa de vigilância costeira, chegaram à praia de Tavira onde os três desembarcaram e Alonso rumou mar dentro em direção a terrenos conhecidos.
- Estamos salvos. Vamo-nos separar aqui. Matilde Sara e Matilde Eve, não podem regressar aos vossos anteriores destinos. Mudem de penteado, cor de cabelo, não vistam roupas que costumavam utilizar. Se possível façam uma operação plástica para mudar um pouco a cara. Esta gente vai andar atrás de vocês, algum tempo, por isso vão para um sítio discreto, por exemplo a costa alentejana, e não entrem em contacto com os vossos pais. Quando estiverem instaladas liguem para este número. Levem para já este dinheiro para as primeiras necessidades. Depois alguém vai entrar em contacto convosco.
Eu vou desaparecer por uns tempos, regresso ao meu quartel-general que por razões óbvias não vos digo qual é. Vão ter muito que conversar e descobrir o vosso intrigante passado. Matilde não contes comigo para o próximo jantar de convívio da Turma de 1984 do Colégio Britânico.
Deu-lhes um beijo e desapareceu nas dunas da ilha de Tavira.
                                                                                                                      FIM
Nota: Qualquer semelhança com factos ou pessoas da vida real é pura coincidência.

Autores (por ordem alfabética) – Carmita, Célio Passos , Helena João, “M”.

3 comentários:

  1. Andam a ver muitos filmes de acção!

    Expliquem-me uma coisa: o conto tem seis partes e apenas quatro autores?

    Isto é que e um verdadeiro mistério!

    Os desenhos estão o máximo!

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  2. AHAHAHAHAH! que grande reviravolta! E a coitada da Matilde que ainda hesitou em ir ao jantar! Parabéns ao ilustrador! O conto ficou sem dúvida, mais rico e sumarento! Quem anda a trabalhar dobrado para estas partes extras? :p

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  3. Efectivamente o conto tem seis partes e só quatro autores. Este é um dos mistérios do conto. os outros autores ficaram no anonimato por que tiveram receio de represálias por parte das forças do mal.

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