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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

15 - "O Bobo da Corte” ou “O Poder da Informação"





                                                                                                             por Lordopio

Os políticos têm fama de gente pouco recomendável que até pode não ter respetivo proveito mas que ainda assim os marca indelevelmente. Esta história, vem trazer à reflexão o necessário contraditório não da perspetiva moral e ética – sobre essa estamos conversados –mas antes da estupidez que os impede de pensar com o discernimento inerente e que pode atingir proporções gigantescas. Para mim, é angustiante ter que admitir que um político para além de potencialmente corrupto ou suscetível a favores ilícitos ainda venha com um banho de estupidez que não lhe permita refletir sobre questões elementares.
O ministro, sai de casa com passo apressado e nem se preocupa em bater a porta.
Entra no automóvel do Estado que lhe foi destacado e o motorista bate a porta o que revela muito no que diz respeito à cortesia desta classe. Dá indicações quanto à morada de destino e fica o motorista – e nós que estamos a ler este conto – a saber como vai ser a manhã. De facto não tem nada de novo uma vez que esse destino é o mesmo há oito meses e é invariavelmente o Ministério. Pede pressa por causa de um encontro, o que tem repetido invariavelmente nestes tais últimos meses. Os homens tem tendência para perder capacidades com a idade e ficámos a saber que os políticos mais que todos os outros. Daí a concluirmos que é uma profissão de desgaste rápido pede prudência e atenção tendo em conta, por exemplo, os assaltantes de ATM’s que utilizam substâncias altamente explosivas e tóxicas no seu trabalho diário, sem qualquer garantia de êxito.
Entra no seu gabinete, vislumbra o séquito que o espera e pergunta – a ninguém especialmente – se o “homem” das comunicações já tinha chegado. A sua secretária responde do fundo da indiferença bem disfarçada pelos anos que sim, já o aguardava no gabinete.
“Olá, bom dia, então como está!” e dirige-se ao secretário de estado das comunicações terrestres que se levanta como uma mola potente. “Perfeitamente, Senhor Ministro! Muito obrigado”.
“Então, já tem tudo consigo?”.
“Sim, Senhor Ministro. Faça a fineza de reparar” e exibe um telemóvel com ar simples mas que nos deixa a nós leitores de contos e histórias policiais com a desconfiança de que tem capacidades nucleares. “Se pretender, passo a explicar como funciona.”
“Oh Senhor Secretário de Estado! Pensa que tenho tempo para isso? Quando, daqui a uns anos, eventualmente chegar ao meu lugar, irá perceber que nós não temos tempo para essas coisas!”
“Claro que sim, Senhor Ministro, peço desculpa pela minha ousadia. Diga-me, por obséquio o que pretende e eu executarei! O que puder fazer para o aliviar deste fardo ingrato será feito com muito prazer”.
“Obrigado. É simples. Quero um toque diferente para cada tipo que me ligar, pode ser, não pode?”. “Claro Excelência!”, responde um secretário de estado que pensa lá com ele, deixa-me ser secretário de estado que estou melhor que tu, porque tenho tudo o que quero com muito menos chatices… Pena que estes homens sejam tão cinicamente eficazes porque dariam excelentes primeiros-ministros.
E após longas horas, “… e agora para certos fulanos, ponha o toque do… sei lá o que há-de ser… o do 112! Se houver! Esses tipos só me trazem chatices… pode ser? Arranja aí um toque de 112?”.
O governo comemorava um ano de eleição num conselho de ministros especial. O ministro ao lado do secretário de estado das comunicações terrestres e com uma  jovem despida entre eles está a discursar com a balofa eloquência que o caracteriza. Indiferente ao que diz, absolutamente indiferente, o secretário de estado das comunicações terrestres sorri sereno.
Ainda o dia ia a meio e já tinha uma lista mental de todas as pessoas que tinham ligado ao ministro.
Fim, com uma lição de moral: se puderes, sê bobo em qualquer circunstância. É a profissão mais importante, em qualquer parte do mundo, civilizado ou não.

1 comentário:

  1. Bobo talvez não! Arriscamos a que se riem de nós quando os "outros" e que merecem a nossa risota.
    Talvez "anónimo cidadâo" com direito a não votar.
    Um conto da "nossa" realidade triste, mas também irónica.
    Eu diria: É melhor perder o telemóvel do que não saber trabalhar com ele.
    Para certos fulanos, se fosse eu colocava o 115!
    Célio Passos

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