por Lordopio
Os políticos têm fama de gente pouco
recomendável que até pode não ter respetivo proveito mas que ainda assim os marca
indelevelmente. Esta história, vem trazer à reflexão o necessário contraditório
não da perspetiva moral e ética – sobre essa estamos conversados –mas antes da
estupidez que os impede de pensar com o discernimento inerente e que pode
atingir proporções gigantescas. Para mim, é angustiante ter que admitir que um
político para além de potencialmente corrupto ou suscetível a favores ilícitos
ainda venha com um banho de estupidez que não lhe permita refletir sobre
questões elementares.
O ministro, sai de casa com passo
apressado e nem se preocupa em bater a porta.
Entra no automóvel do Estado que lhe
foi destacado e o motorista bate a porta o que revela muito no que diz respeito
à cortesia desta classe. Dá indicações quanto à morada de destino e fica o
motorista – e nós que estamos a ler este conto – a saber como vai ser a manhã.
De facto não tem nada de novo uma vez que esse destino é o mesmo há oito meses
e é invariavelmente o Ministério. Pede pressa por causa de um encontro, o que
tem repetido invariavelmente nestes tais últimos meses. Os homens tem tendência
para perder capacidades com a idade e ficámos a saber que os políticos mais que
todos os outros. Daí a concluirmos que é uma profissão de desgaste rápido pede
prudência e atenção tendo em conta, por exemplo, os assaltantes de ATM’s que
utilizam substâncias altamente explosivas e tóxicas no seu trabalho diário, sem
qualquer garantia de êxito.
Entra no seu gabinete, vislumbra o
séquito que o espera e pergunta – a ninguém especialmente – se o “homem” das
comunicações já tinha chegado. A sua secretária responde do fundo da
indiferença bem disfarçada pelos anos que sim, já o aguardava no gabinete.
“Olá, bom dia, então como está!” e
dirige-se ao secretário de estado das comunicações terrestres que se levanta
como uma mola potente. “Perfeitamente, Senhor Ministro! Muito obrigado”.
“Então, já tem tudo consigo?”.
“Sim, Senhor Ministro. Faça a fineza
de reparar” e exibe um telemóvel com ar simples mas que nos deixa a nós
leitores de contos e histórias policiais com a desconfiança de que tem
capacidades nucleares. “Se pretender, passo a explicar como funciona.”
“Oh Senhor Secretário de Estado!
Pensa que tenho tempo para isso? Quando, daqui a uns anos, eventualmente chegar ao meu
lugar, irá perceber que nós não temos tempo para essas coisas!”
“Claro que sim, Senhor Ministro, peço
desculpa pela minha ousadia. Diga-me, por obséquio o que pretende e eu
executarei! O que puder fazer para o aliviar deste fardo ingrato será feito com
muito prazer”.
“Obrigado. É simples. Quero um toque
diferente para cada tipo que me ligar, pode ser, não pode?”. “Claro
Excelência!”, responde um secretário de estado que pensa lá com ele, deixa-me
ser secretário de estado que estou melhor que tu, porque tenho tudo o que quero
com muito menos chatices… Pena que estes homens sejam tão cinicamente eficazes
porque dariam excelentes primeiros-ministros.
E após longas horas, “… e agora para
certos fulanos, ponha o toque do… sei lá o que há-de ser… o do 112! Se houver!
Esses tipos só me trazem chatices… pode ser? Arranja aí um toque de 112?”.
O governo comemorava um ano de
eleição num conselho de ministros especial. O ministro ao lado do secretário de
estado das comunicações terrestres e com uma
jovem despida entre eles está a discursar com a balofa eloquência que o
caracteriza. Indiferente ao que diz, absolutamente indiferente, o secretário de
estado das comunicações terrestres sorri sereno.
Ainda o dia ia a meio e já tinha uma
lista mental de todas as pessoas que tinham ligado ao ministro.
Fim, com uma lição de moral: se
puderes, sê bobo em qualquer circunstância. É a profissão mais importante, em
qualquer parte do mundo, civilizado ou não.

Bobo talvez não! Arriscamos a que se riem de nós quando os "outros" e que merecem a nossa risota.
ResponderEliminarTalvez "anónimo cidadâo" com direito a não votar.
Um conto da "nossa" realidade triste, mas também irónica.
Eu diria: É melhor perder o telemóvel do que não saber trabalhar com ele.
Para certos fulanos, se fosse eu colocava o 115!
Célio Passos